Esta reedição de O holocausto, romance de Pedro Américo de Figueiredo e Melo (Areia, 1843 – Florença, 1905), famoso pintor do Segundo Império, assinala, por justas razões, um acontecimento especial no espaço de nossa bibliografia. Veja-se, de saída, que esperamos 134 anos para que esta obra voltasse a circular em nosso meio. Raridade bibliográfica – suficiente de per si para realçar a relevância do empreendimento editorial – O holocausto retorna, agora, por feliz iniciativa da Editora Universitária, da Universidade Federal da Paraíba, e em edição moderna, entre os títulos da Coleção Nordestina.Publicada em 1882, pela Typographia Cenniniana, de Florença, Itália, este romance é particularmente significativo no trajeto do areiense, pois revelou para o seu tempo uma de suas acalentadas aspirações, a literária, domínio bem distinto daquele, aliás, que o consagrou como uma das grandes personalidades do mundo artístico nacional. Quando esta obra ganhou às ruas, Pedro Américo já era profissional das artes plásticas de grande reputação. Ele dera provas de talento incomum nestes domínios, quer como mestre da mais importante instituição de ensino artístico do país, a Academia Imperial de Belas-Artes, do Rio de Janeiro, quer como pintor de recursos inexcedíveis. Há 18 anos, portanto, ele era professor da Academia Imperial de Belas-Artes, e artista plástico.